Quando
iniciamos qualquer pensamento sobre urbanismo e todas as suas questões, as
referências sempre partem com base na tecni-cidade,
no espaço urbano puramente técnico e embebido, essencialmente, de uma estética
demagoga. Lembramos, logo de início, do
urbanismo parisiense de Hausmann, Ebenezer Howard com a cidade-jardim, do urbanismo de Chicago, de
Daniel Burnham, como grandes exemplares do bom pensamento em prol
do desenvolvimento prático da disciplina. É claro que, nem tudo sai como posto
na teoria e, com esses projetos monumentais urbanísticos não seria diferente,
as teorias, muitas das vezes, subverteram-se em questões que mereceriam uma
atenção mais sensível aos fatores negativos ocasionados pela imposição de uma
arquitetura ou urbanismo que tem como caráter ímpar a explosão das cidades,
principalmente quando se trata das questões sociais e culturais inerentes a um
povo, a um espaço urbano que apresenta uma poética de valor sensível ao seu
reconhecimento e sentido de cidade.
Não
indo tão longe, aproxima-nos, agora, dos exemplares postos aqui: lembremo-nos
da modernidade do projeto de Lúcio Costa, o Plano Piloto de Brasília que veio
carregado de novidades para a construção de uma nova tecni-cidade. Usamos,
também, as referências do projeto urbanístico parisiense implantado como modelo
de modernidade no espaço urbano, executado na cidade do São Salvador, essa que
sim, me interessa os estudos, já que aqui estou como cidadã e futura
profissional. A Avenida Sete de Setembro sofreu intervenções na gestão de J.J
Seara, tornando esta avenida uma boulevard da cidade, levando em consideração
as características higienistas, modernas e esteticamente agradáveis propostas
por Hausmann na cidade de Paris e que foram implementadas aqui como um modelo
de evolução urbana saibamos que, não deixou de ser, mas ainda essa ideia de
reprodução de modelos externos as vivências de uma cidade plural desde os seus
costumes até a não definição de seus espaços em maioria, poderá custar o preço
de uma cidade explodida.
Demora
a se dar conta que os rumos atuais das cidades são outros, a utopia parece
tomar conta e, como guia de frente, rouba a cena acadêmica com o intuito de
mostrar que os caminhos trilhados até hoje, e os passos ousados que virá, foram
capazes de roubar toda emoção de uma cidade que é única e que deve ser respeita
para ser sentida. Devemos pensar em novas formas de apropriar a disciplina
urbanística e abrir um espaço fluído de discussões incluindo aqueles que não
dominam as técnicas que visam a transformação da cidade sensível numa tecni-cidade, até porque a técnica
inerente ao saber empírico é natural e faz sentido, diferente da técnica
imposta que homogeneíza os espaços e, insensivelmente, os tornam um espaço
limitador das possibilidades dos corpos intervenções nas suas cenas diárias.
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